Não foi a primeira vez que choramos juntas. Aliás, pelo que me lembre, foi a segunda vez. Na primeira vez, chorei porque ela chorou. Ela chorou por que havia chorado na noite passada. E na noite passada, uma conversa franca foi o motivo do digamos, choro inicial. Nessa primeira vez, choramos olhando no olho. Um choro sincero mesmo que sem muito motivo. Esse choro não durou muito, mas nos faz rir até hoje. Voltando a nossa segunda vez.... Primeiro nós conversamos. Desabafamos. Nos aconselhamos. Xingamos a vida. Ficamos com raiva. Ela quis um cigarro. Mas não podia fumar. E eu até que gostei dessa proibição. Ela não gostou de eu ter gostado. Ela perguntou o que eu estava fazendo. Eu disse que não estava fazendo nada, apenas chorando. Ela me chamou de amiga e também chorou. Quis me ligar. Achei melhor não. Ela concordou. Desejamos estar em outros lugares. Eu queria namorar. Ela queria cerveja, música e cigarro. Ela queria fugir. Eu não sabia o que fazer. Ela queria escrever. Eu queria ser mais eu. Eu fiz drama. Ela foi sincera. Relembramos o passado. A Rá mudou. Ela mudou. Eu mudei? Eu me senti presa. Ela também. Eu estava gorda. Ela sem apetite. Eu fiz ela rir. Ela quis ter apetite. Ela fez guacamole e pão de queijo. Eu comi macarrão e brigadeiro. Ela quis saber fazer alguma coisa. Quis desenhar, escrever, dançar. Eu já tentei tocar violão, teclado e piano. Ela nunca tentou dançar. Eu dancei durante 5 anos. Tentei fazer teatro e jogar volei. Ela tentou violão, vôlei e handball. Eu fiz catecismo. Ela brincou na rua. Ela cresceu e começou a beber até cair. Eu bebi desse jeito só uma vez. Ela começou a fumar. Eu nunca coloquei um cigarro na boca. Ela começou a fazer arquitetura. Eu comecei a fazer arquitetura. A vida virou uma merda!
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